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Quando surgiu a proposta de se organizar um Startup Weekend Change Makers em Fortaleza, Brasil, decidimos que o faríamos. Já havíamos organizado alguns Startup Weekend, mas a proposta dessa edição era especial. Além de desenvolvedores tecnológicos, designers e empreendedores – ou aspirantes, reuniríamos empreendedores sociais e líderes comunitários. Desta vez com o objetivo de fazer uma conexão entre estes para a solução de problemas da comunidade por meio de negócios sociais.

A primeira decisão do comitê de organização foi que pelo menos metade dos ingressos seriam gratuitos destinados a jovens da comunidade. Pelo Startup Weekend ter uma conotação tecnológica, entramos em contato com algumas instituições e projetos que já possuíam algum ensino nessa área, como: Palmas Lab, E-Jovem e Rede Cuca. Além dos ingressos doados, oferecemos descontos para a maioria dos participantes universitários, interessados em desenvolver negócios sociais. E para finalizar, um dia antes do evento, o Professor Cleudson Santos, patrocinou a entrada de 6 estudantes, entre 11 e 14 anos, das Escolas Helenilce Martins e Tais Maria.

Faltando um semana para o Startup Weekend, preparamos 2 Bootcamps – eventos para sensibilização e engajamento dos participantes por meio de workshops – utilizando o espaço dos realizadores do evento. O primeiro, aberto ao público, no FB Ideias e o segundo, para os jovens selecionados, no Instituto Felipe Martins de Melo.

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Tivemos manhãs super divertidas, de bastante aprendizado, trocas de experiências e reflexão. Juntos mapeamos os problemas, ensinamos de maneira prática como funcionava o modelo de negócios Canvas, empoderamos talentos, criamos algumas campanhas e descobrimos a importância de validar as ideias.

Este encontro foi tão apreciado que nos pediram mais workshops antes do evento. Realizamos o 3o Bootcamp no Instituto Banco Palmas, onde apresentamos o Canvas àqueles que não estiveram presentes nos workshops passados. Fizemos também uma dinâmica para memorizar o Glossário com palavras técnicas e em inglês utilizadas no meio das Startups – ideia esta sugerida pelos jovens.

Sexta-feira, 20 de Março, começava nosso primeiro Change Makers. O sentimento era de que – na verdade – ele já havia começado há alguns dias atrás. Graças ao patrocínio e realização do SEBRAE junto aos outros apoiadores, a produção estava impecável. A tenda e o telão montados na rua criavam um clima de que algo novo estava por vir no Conjunto Palmeiras. As portas se encontravam abertas a todos que quisessem participar.

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Logo no início, víamos por meio das palavras de Preto Zezé, presidente Nacional da CUFA (Central Única das Favelas), que quebrávamos a primeira barreira do preconceito: o começo do evento, por si só, criava um movimento Contra-Cultural, onde o centro ia até a periferia e não o contrário – como de costume.

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Assim acontecia em Fortaleza um importante evento de mudanças culturais, quebra de paradigmas e desenvolvimento social a que o Startup Weekend Change Makers estava a propor. Em 54 horas, de trabalho duro, vivenciamos ricas experiências, trocas culturais, grandes conquistas, fizemos novas e duradouras amizades, ensinamos e aprendemos, contatamos realidade distintas e… internacionalizamos!

Entramos em contato com os organizadores do Startup Weekend Social Innovation em Berlim e sugerimos uma troca de vídeos enviando muita energia positiva aos participantes do evento. Para minha surpresa, mais uma vez, quando fomos executar o nosso vídeo ninguém queria desejar “boa sorte” em português ou inglês, mas em alemão!

E apesar das 4 horas de diferença, eles nos responderam, comentando do rápido “olá” que nos dariam devido aos pitchings finais estarem se aproximando.

Ficamos muito felizes em ver todos os convidados a mentores participarem ativamente no desenvolvimento de cada projeto e perceberem que a troca de vivencias é sempre maior do que podemos imaginar.

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Esse Startup Weekend Change Makers Fortaleza foi montado na intenção de levar conhecimento e possibilitar a criação de ideias para melhorar as condições no Conjunto Palmeiras. Contudo, os participantes eram os maiores conhecedores dos problemas da comunidade e possuíam as mais inovadoras soluções para resolvê-los. Só precisavam ser estimulados e acreditados para isso.

Essa percepção foi constatada durante o processo e confirmada nas emoções que todos sentiam a cada discurso feito pelos vencedores. Vencedores estes que no nosso evento foram 5: 1o , 2o e 2 em 3o lugar, além de uma menção honrosa. E a ordem não fazia diferença, todos se sentiam – e eram – vencedores.

Agradeciam aos mentores e organizadores por acreditarem neles e levarem à periferia um evento em beneficio da comunidade. Contavam suas histórias e a realidade que na maioria das vezes só ouvimos falar – ou nem isso.

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José Erberson Lino, 18 anos, aluno do Palmas Lab, falou das dificuldades em ter que se locomover para o centro da cidade para ter uma melhor qualidade de ensino e da hora tardia que chegava em casa de ônibus, das vezes que não teve dinheiro para poder ir a aula ou mesmo comprar um lanche. E agora, junto a uma equipe, criava uma maneira de resolver esse problema por meio do projeto Vai Dar Certo, onde poderiam ter acesso a aulas na própria comunidade com aqueles que já eram universitários e ainda moravam no bairro.

Outro negócio destaque foi o AvaliSaude, que tinha como objetivo coletar as avaliações de pacientes que faziam uso da rede pública de saúde para mapear os problemas no serviço e usar essas informações para regularizar o sistema. Felipe de Araújo, 22 anos, estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas na Estácio, apresentou esta solução e comentou que o idealizador, na verdade, foi Heitor Calixto, 17 anos, aluno do Palmas Lab, que vê a mãe, agente do posto de saúde local, enfrentando diariamente problemas relacionados a falta de qualidade nos serviços públicos de saúde do Conjunto Palmeiras.

A pequena Ana Vitória, 11 anos, aluna da Escola Helenilce Martins, se fez grande ao emocionar a todos explicando a ideia do Traço Kids, a qual crianças poderiam fazer desenhos e na valorização da sua arte comercializada, não se envolverem com as drogas. Seu maior desejo era impactar as crianças da comunidade que não possuíam as mesmas oportunidades que ela.

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E o primeiro lugar, O que tem no meu bairro?, foi inovador e único por sua simplicidade. Em prol da valorização do Conjunto Palmeiras e do fortalecimento de sua própria economia, o aplicativo mostrava onde se poderia comprar o que fosse necessário sem precisar sair do bairro. O mais incrível era que somente a dona da ideia, Derlyane Lima, 19 anos, aluna do E-Jovem, era moradora do Conjunto, os outros integrantes estavam unidos para ajudá-la a solucionar aquela situação – e estavam decididos que mesmo se não tivessem ganho, iriam continuar o projeto.

Depois de tantos depoimentos, os papéis se encontravam invertidos: deixávamos de ser mentores para mais uma vez aprender com eles, deixávamos de ser organizadores e tínhamos nossos sentimentos desorganizados. Um mix de emoções impossível de descrever.

Como é de se imaginar, um evento como esses não se faz sozinho! Então, para os que gostam de números… foram: 75 participantes, 12 mentores, 5 jurados, 6 organizadores, 6 nacionalidades, 20 ideias, 9 selecionadas, 11 executadas, 4 ganhadoras, 1 menção honrosa… em 54 horas!

E a cada minuto passado, a cada aproximação feita, a cada palavra dita, nós percebíamos o quanto um fim de semana pode mudar a vida de alguém e – consequentemente – de toda uma comunidade.

O quanto que auxiliar com conhecimento, novas ferramentas e muito amor nessa construção, multiplica essa vontade de fazer a diferença.

E sensibiliza.

E emociona.

Mas tão importante quanto se plantar uma semente como essas na periferia, é de alguma forma dar uma continuidade a isso: seja com o desenvolvimento dos projetos e negócios sociais, seja com outros workshops ou mesmo encontros reunindo os jovens e os inspirando cada vez mais, para que não sejam esquecidos novamente!

E há quem duvide se vale a pena ser voluntário.

É inexplicável este sentimento, basta olhar, ver as mudanças acontecerem.

Se foi enriquecedor para eles – imagina para a gente!

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Be the Change, be a Change Maker!

Meu muitíssimo obrigada a todos os envolvidos nesse Startup Weekend Change Makers Fortaleza! Em especial Gabriela Aires, Asier Ansorena, Glauber Uchoa, Sol Dúran, Marcos Medeiros por estarmos juntos na organização deste sonho. Ao facilitador, Leo Uchoa, e aos mentores: Eduardo Freire, Evandro Ariki, Gregório Marin, Julio Cavalcante, Kim Lima, Lucas Hoogerbrugge, Marcos Mendes, Maurílio Alberone, Pietro Occiuzzi, Rodrigo Brito e Tatiana Lourenço, por inspirarem os jovens e auxiliarem na execução das ideias. Aos jurados: Joaquim Cartaxo, Joaquim de Melo, Leo Lacerda, Preto Zezé e Rodolfo Sikora, pelo olhar técnico e humanizado na escolha dos vencedores e também por permitirem 2 colocados no terceiro lugar, visando a continuidade dos projetos. Aos realizadores locais deste evento: SEBRAE, Instituto Banco Palmas, FB Ideias e Instituto Felipe Martins de Melo, por unir forças, acreditando na construção desse evento. A todos os voluntários que dedicaram suas horas de trabalho para nos ajudar na fluidez das ações. Ao Conjunto Palmeiras por nos ter recebido com tanto carinho nesse rico momento. E a todos os participantes que vieram entusiasmados com o propósito de trazer novas soluções para os problemas da comunidade e se tornarem Agentes de Mudança – Change Makers.

Para mais informações acesse a página do Startup Weekend Change Makers Fortaleza no Facebook ou no site da Up Global ! E para os curiosos,  creio que o video abaixo mostra um pouco dessa energia fantástica presente no nosso evento!

Até breve!

 


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Beatrice Melo