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Quando começei a empreender não sabia quanta solidão iria enfrentar. Eu já era alguém esquisito muito novo com uns 14 anos em 1986. Nessa época usava internet de forma clandestina no meu país, pois não existia um link direto, nem sequer acadêmico. Tinha aprendido a programar, uma coisa foi levando a outra e acabei empreendendo sem saber. Parecia que havia uma força me puxando. O que eu queria mesmo era aprender mais e colocar o que sabia em prática. Precisei criar meu próprio emprego, já que o mundo que me rodeava, por algum motivo que ainda desconhecia, teimava em viver no passado.

Ou seria eu aquele que teimaria viver no futuro durante toda a minha vida?

Parecia que estava vivendo no lugar e no tempo errados. Mal sabia eu que outros parecidos comigo se juntavam, se apoiavam e aprendiam juntos, so que muito, mas muito longe da minha casa, no Vale de Silicio. Na época conseguia ver de longe as sombras dessas interações nos bbs, newsgroups da usenet e listas de email que eu participava. Era uma internet só de texto, que para acessar tinha que hackear links satélites, ou fazer blue boxing para conseguir ligar a 300bps num computador lá na Califórnia. Velhos bons tempos de exploração e aprendizagem. Hoje, me imagino, o tipo de coisa que eu poderia ter feito se tivesse tido a oportunidade de participar dessas primeiras comunidades primitivas de programadores/empreendedores, não à distância, mas presencialmente. Porque elas estavam no lugar certo, no momento certo, no ambiente certo, com o conhecimento e habilidades certas, puderam ser protagonistas de uma história de transformação global e escrever parte da história recente e mudar o mundo com suas criações, quem ficou a margem acabou testemunhando a transformação mas não fez parte dela. Acredito que no mundo existam muitos grupos de pessoas que são early adopters, não de um produto ou uma tecnologia mas sim do futuro. Estes adotam modelos mentais, valores e ideias que são mais adequadas para um futuro que ainda não chegou, do que para um passado que esta ficando obsoleto a cada dia.

O futuro já esta aqui — ele simplesmente não está distribuído uniformemente. — William Gibson, criador do termo ‘cyberspace’

De lá pra cá, fui percebendo que uma das formas de mudar a sociedade seria ajudando a distribuir mais uniformemente o futuro na sociedade atual. Contagiando outras pessoas e as ajudando a perceber novas possibilidades, criando comunidades que se identificam e que se permitem adotar uma nova cultura, novos comportamentos, sonhar novos sonhos. Emfim, realizar aqui e agora no presente aquilo que talvez seria somente possivel num futuro distante sem essa intervenção, ou quem sabe talvez nunca naquele local.

Se você quiser ir rápido, vá sozinho. Se você quiser ir longe, vá junto.- Velho Provérbio Africano

Neste último feriado viajei para Belo Horizonte a convite da Up Brasil, o braço brasileiro da Up Global, para participar do UP Brasil Summit, realizado na Ibmec. Lá tive a oportunidade de conhecer mais de perto alguns dos Community Leaders, Organizadores e Facilitadores que estão levando para todos os cantos do Brasil experiências que catalizam uma transformação, acendendo uma chama, que é o primeiro passo para começar a formar as comunidades locais que se apoiam para acolher aqueles que de outra forma estariam sozinhos em casa como estive no meu início.

Um dos programas que a UP Brasil tem realizado em uma infinidade de cidades, é uma experiencia empreendedora mão na massa de 54hrs chamado Startup Weekend. Nela, pessoas que talvez nunca tiveram oportunidade de presenciar o inicio de um negócio, podem experimentar algumas das etapas numa competição que reune pessoas de todo tipo e junta aqueles que, de outra forma, estariam sozinhos. Já escutei num desses eventos uma participante me falar que la tinha encontrado um monte de gente igual a ela, inquietos, com pensamentos fora da caixa e com vontade de realizar e causar impacto, e que era muito dificil no seu circulo de amigos falar sobre isso já que não era o normal.

Sempre fui muito crítico sobre incentivar a competição, alguns anos depois percebo que uma das dinâmicas fundamentais para as pessoas se moverem e terem fun é tornar tudo um jogo e a competição é um ingrediente muito importante. Nesta viagem percebi que durante o evento os participantes brincam e competem, mas os verdadeiros valores que permeiam esta comunidade são os de colaboração.

Durante o UP Brasil Summit tivemos a oportunidade de ouvir, bater papo e compartilhar opiniões com pessoas que da para ver que estão se transformando elas mesmas, transformando as suas organizações e ajudando a transformar o Brasil. Pessoas como o Marcio Brito do Sebrae Nacional e o Fabio Veras do Sebrae Minas, que estão não só estão ajudando a catalizar este movimento mas também ajudando a modernizar o próprio Sebrae, o que já é uma tarefa herculea! (eu sei bem como é tentar mudar organizações por dentro, quase impossivel). Fábio nos impressionou com como o Sebrae MG está levando a serio o movimento, colocando o bolso onde está a boca. Ele nos desafiou a fazer parte da solução, ao invés de falar que o pessoal não entende, ajudar a educar e transformar o mindset das própias pessoas que trabalham no Sebrae. Precisamos aprender a falar melhor a língua deles e não nos isolar, mostrando porque o trabalho que este movimento está fazendo é importante para o Brasil e é importante fazermos juntos.

Tambem tivemos a presença do Yuri Gitahy, Founder da Aceleradora que nos falou um pouco sobre a historia não tão recente do ecosistema de Startups aqui no Brasil. Nos levou a refletir que juntar pessoas que você acredita que tem potencial, trabalhar juntos em negócios desafiadores, e depois deixar essas pessoas se espalharem para procurar os seus próprios sonhos faz parte do desenvolvimento saudável de um ecosistema. Assim é que um bosque saudável se forma, espalhando sementes.

Tambem tivemos a presença do Felipe Matos, ex-COO do programa Startup Brasil e Founder do StartupFarm, Guilherme Junqueira da ABStartups, todos os facilitadores incansáveis que fazem acontecer a mágica nos eventos, e outros muitos amigos e figuras super importantes do ecosistema, que não vou conseguir citar neste já não tão pequeno post.

O Guga Gorenstein, uma figura fantástica do ecosistema de Brasília, nos ajudando a traçar o perfil ideal dos mentores, suas qualidades positivas tanto quanto aqueles comportamentos negativos que deixam muita gente chateada, isso rendeu umas boas risadas e alguns questionamentos. Será que eu tambem já fui um mentor cuzão em algum momento? Durante a sexta feira tivemos a oportunidade de visitar algumas Startups incríveis de San Pedro Valley como a Rock Content, a HotMart e Sympla. Elas são algumas das expressões de que realmente trabalhar duro e adensar comunidades funciona. Para conseguir contar minhas impressões e experiências conhecendo os fundadores delas pessoalmente precisaria mais um post inteirinho já que foram visitas super ricas que agregaram muito valor.

O talento esta distribuido uniformemente ao redor do mundo,
mas as oportunidades não —
Steve Blank, autor de ‘Four Steps to Epiphany’

Finalmente quero agradecer ao Tony Celestino, André Hotta, Brett Nakatsu e Carla Perez, não é a nova loira do Tchan não, e a todos os outros que fizeram deste encontro uma oportunidade sem igual para juntar pessoas que acreditam nesta transformação e querem ver o Brasil se transformar. Este encontro deu mais animo para voltar para os nossos ecosistemas e comunidades e criar oportunidades para aqueles que como eu algum dia estavam vivendo no futuro, isolados em suas cidades, sem saber que existia perto deles outros que tambem compartilhavam desta mesma doença.

Voltamos animados para trazer para o aqui e o agora aquilo que eles só achavam que seria possivel se mudassem para outro pais. Criar as oportunidades que são necessárias para fazer que o talento local possa sair da dormência que se encontra e realizar todo o seu potencial, participando não mais como um expectador da criação de riqueza e sim como um protagonista nesta nova economia, que nos permite engajar o melhor que temos como humanos.

Para mim ficou claro que juntar fisicamente os community leaders num lugar fisico por dois dias pode ser uma das coisas mais poderosas que podemos fazer para alavancar e adensar ainda mais as conexões neste nosso ecossistema.

Ainda não tem nada organizado, porém vários de nós gostamos tanto da experiencia que o pessoal da UP Brasil proporcionou, que pensamos: porque não criar um encontro que reúna, além da galera da UP Brasil, outros tantos líderes de comunidades que estão espalhados pelo Brasil?. Talvez estejam até se sentindo meio solitários como líderes em suas comunidades. Queremos aprender juntos e compartilhar o conhecimento sobre como ser mais eficazes catalizando o processo de transformação do Brasil, preparando ele não para o futuro, mas para o presente, porque o futuro já chegou.

Juan Bernabó – CEO & Founder Germinadora
Post Original, link.

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Tony Celestino